Quando o destino é Arraial d´Ajuda, o espetáculo começa logo na travessia da balsa que liga Porto Seguro à ponta do Apaga-Fogo. Durante 10 minutos a embarcação desliza sobre o Rio Buranhém, descortinando paisagens exuberantes, entrecortadas de mangues, águas e arrecifes, que sinalizam para o feliz encontro do rio com o mar. Cinco quilômetros adiante, que podem ser percorridos de Kombi, ônibus, táxi ou caminhando pela praia, no alto de uma colina, surge imponente o Arraial d´Ajuda.

Sobre o lugar, Pero Vaz de Caminha bem poderia escrever ao rei que o porto continua seguro e as praias do Arraial não perderam sua beleza natural e selvagem. Paraíso descoberto pelos hippies na década de 70, de lá para cá o Arraial se preparou para receber levas de turistas brasileiros e estrangeiros, sem perder os dotes naturais e a magia que tanto encantaram os primeiros descobridores e que até hoje continua seduzindo visitantes cada vez mais exigentes, que buscam o reencontro com a natureza, sem abrir mão do conforto.

7.463 leitos de ótima qualidade compõem o parque hoteleiro do Arraial d´Ajuda, distribuídos em 180 estabelecimentos, que oferecem opções para todos os gostos e bolsos. No Caminho da Praia, ou Estrada do Mucugê, pousadas charmosas, bares, boates e restaurantes oferecem uma gama de alternativas originais e criativas. A culinária é uma atração à parte no Arraial d´Ajuda, que oferece desde a comida típica baiana até requintados pratos da cozinha internacional.

Nas praias do Arraial d´Ajuda o visitante compreende o deslumbramento experimentado por Pero Vaz de Caminha e tão bem registrado em sua histórica carta ao rei de Portugal. São mais de 20 quilômetros de praias de águas transparentes e cristalinas, entrecortadas de rios e emolduradas por coqueirais e falésias.

Points badalados, praias calmas e até desertas se complementam, num cenário paradisíaco. Barracas com cobertura rústica de piaçava e toda a estrutura para garantir o conforto do visitante oferecem água de coco, sucos de frutas típicas e um cardápio variado, que inclui mariscos e pratos da culinária local, como o aprovadíssimo camarão na moranga e o peixe assado na telha.

Apaga-fogo, Araçaípe, Mucugê, Parracho, Pitinga e Taípe formam um roteiro inesquecível, que inclui  um parque aquático que oferece, emoção e adrenalina à beira-mar. Crianças, jovens e adultos encontram muita diversão nos toboáguas, piscina de ondas, brinquedos, rio lento, queda d´água e diversas piscinas com esportes aquáticos. Tudo em meio à Mata Atlântica, com direito ao canto e visita constante dos pássaros.

A história do Arraial d´Ajuda, um povoamento típico dos aldeamentos jesuíticos do século XVI, começou com a construção da igreja, que recebeu a primeira romaria do Brasil e hoje acolhe cerca de 15 mil romeiros da Bahia e do restante do país, que durante a Festa da Santa, de 7 a 15 de agosto, chegam para pagar promessas, fazer pedidos e render graças à padroeira do distrito, dos marinheiros e das longas viagens.

O Arraial de Nossa Senhora foi mais uma homenagem a Tomé de Souza e aos primeiros jesuítas que aqui chegaram em 1549, com suas 3 naus: Conceição, Salvador e Ajuda, que viriam a ser nomes de cidades e de suas primeiras igrejas. Antes da construção da capela de palha só havia um planalto com uma plantação de um canavial. Na formação do povoado ajudou o ciclo da cana-de-açúcar e a partir de 1720, o do cacau.

Tiveram influências também outras culturas como piaçava, farinha de mandioca e pesca. Mas a maior de todos, sem dúvida, foi a peregrinação religiosa de centenas de pessoas que vinham em romaria e outros que mandavam buscar a água. Propagado pelos jesuítas que "fez Nossa Senhora mercê de abrir milagrosamente aquela fonte", a boa nova do milagre se espalhou por todas as capitanias do Brasil.

Em 1763, o Ouvidor Tomé Couceiro de Abreu escreve ao rei de Portugal sobre as “vilas e rios da capitania do Porto Seguro”, onde fala de Trancoso, Vale Verde, mas não menciona o Arraial. Há algumas hipóteses de que o Arraial seria a antiga vila de Santo Amaro, ou que se chamava de vila de “Insuacome”. Até o início do século XIX o Arraial d'Ajuda parecia não existir com alguma notoriedade maior. Na formação da população do atual distrito tiveram influência vários grupos étnicos, os indígenas (índios pataxós) negros e os estrangeiros (portugueses, franceses, holandeses, ingleses e espanhóis).

Fontes: Santuário do Arraial d´Ajuda e Jornal do Sol